Histórico

Entre meados dos anos setenta e meados dos anos oitenta o piloto Lelis Fachini Filho voou na região amazônica tanto em áreas indígenas como não indígenas. Neste período entrou em contato com a realidade vivida pelos “povos e comunidades tradicionais” como são conhecidos hoje os ribeirinhos, indígenas, sertanejos e quilombolas. Em 1986 ingressou na aviação comercial e mais recentemente, a escala de voos internacionais lhe proporcionou o tempo necessário para voltar a dedicar-se a estes povos de maneira voluntária.

Como ponto de partida, a visão do aviador precisaria estar associada a qualquer ação proposta. Ao sobrevoar o território o aviador consegue enxergar mais longe e o emprego da aviação permite encurtar distâncias e transpor obstáculos naturais.

Reconhecendo a necessidade de envolver universidades na elaboração de um programa que apresentasse alto grau de profissionalismo, em março de 2010 empreendeu uma viagem com o sociólogo Dr. Sandro Dutra e Silva do Centro Universitário de Anápolis, com a finalidade de colher impressões de comunidades indígenas e ribeirinhas no estado do Pará e comunidades sertanejas no sul do estado do Piauí. Criou-se então um grupo de estudo para analisar as impressões colhidas durante a viagem e planejar os próximos passos.

No início de 2011, o antropólogo Prof. Ms. Edward Montenelli Luz juntou-se ao grupo e sugeriu o foco nas comunidades ribeirinhas da região do Rio Arapiuns, e voos de reconhecimento foram feitos para assegurar que a área apresentava as características desejadas para a implantação de um programa de desenvolvimento em comunidades de difícil acesso a recursos básicos por estarem em região consideravelmente remota e isolada.

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Em agosto do mesmo ano uma equipe de pesquisa formada pelo referido antropólogo, pela enfermeira e professora Glaucy Lopes Sakai Passos e pela pedagoga Marisa Moreira Barros estiveram na região, e novamente o emprego da aviação possibilitou o mapeamento das comunidades e a aplicação de questionários para avaliar as necessidades e potencialidades das comunidades.

Como resultado das observações durante a pesquisa e do mapeamento, ficou definido que as comunidades escolhidas para participarem do programa seriam aquelas situadas às margens dos rios Aruã e Maró, afluentes que formam o Rio Arapiuns. Particularmente as comunidades que ficam acima das cachoeiras destes rios, a saber, cachoeira do Aruã e cachoeira do Maró. Estas comunidades na bacia do Arapiuns são as mais afastadas de Santarém distando em linha reta entre 120 e 150 quilômetros. No entanto, em barco de linha (um tipo de ônibus fluvial) as viagens entre Santarém e comunidades têm duração de dois dias ou em alguns casos de até três dias. Ao todo são quase 20 comunidades nestes dois rios entre comunidades maiores (10 ou mais famílias) e menores (menos que 10 famílias).

Ainda durante o período da pesquisa, Lelis Fachini Filho e Glaucy Lopes Sakai Passos, observaram na população de crianças e adolescentes, a presença de dentes cariados e grande perda de dentes permanentes. Ficou evidente que um projeto de educação em saúde bucal seria de grande valia para a região e deveria ser priorizado.

Um desejo comum verbalizado pelos moradores destas comunidades era o de ter algum meio de comunicação que lhes permitisse pedir socorro em caso de doenças graves ou acidentes.

Observou-se ainda que melhorias de qualidade de vida se fazem necessárias no acesso à água potável, práticas de saneamento, e qualidade de alimentação.

Outra observação interessante foi que as comunidades se mostravam cansadas das ondas de pesquisadores e suas extensas pesquisas na região, e ansiavam por resultados práticos.

Em vista ao exposto e com recursos mínimos, sem mais demora Lelis e Glaucy colocaram mãos à obra. Buscaram então a participação da professora e coordenadora de extensão do curso de odontologia, Dra. Juliane Guimarães de Carvalho, que através do Departamento de Extensão do Centro Universitário de Anápolis, coordenou juntamente com a professora Glaucy, o projeto de extensão no Alto Arapiuns, iniciando em novembro de 2011 e permanecendo até setembro de 2012, com o nome: Projeto de Saúde Bucal Para Populações Ribeirinhas do Alto Arapiuns e Seus Afluentes. A partir de outubro de 2012 o projeto tornou-se independente e passou a sustentar a pesquisa coordenada pela dentista Regiane Cristina do Amaral, especialista e mestre em saúde coletiva e doutoranda em odontologia na área de concentração Saúde Coletiva, com o projeto aprovado pelo Comitê de Ética da UNICAMP.

Desde então foram criados dois outros projeto: o de Telecomunicação e o de Segurança Alimentar e Preservação Ambiental.